Hospital Álvaro Alvim em Campos dos Goytacazes cobra de pacientes do SUS para atendimento mais rápido

Hospital Álvaro Alvim, que afirma ser filantrópico, terceiriza seus principais serviços e cobra para agilizar atendimento

Em mais uma reportagem da série que trata da obscura relação entre o Hospital Álvaro Alvin e certos setores da prefeitura de Campos ligados à Saúde, O Jornal Terceira Via traz revelações em relação aos médicos-empresários que assumiram os principais serviços de atendimento do Álvaro Alvim por meio de contratos sigilosos de terceirização e que faturam em cima da busca dos pacientes por um atendimento pelo SUS, mas que são orientados dentro das dependências do hospital, que carrega o título de filantrópico, a se quiserem um acesso mais rápido aos tratamentos, que paguem as consultas, exames ou procedimentos, pelo que ficou conhecido como “social”.

Dificuldade pra vender facilidade:

A denúncia baseada em histórias reais de pacientes que passaram por essa situação, revela o drama de quem precisa de atendimento na área de Saúde em Campos e busca o Hospital Álvaro Alvim na expectativa de terem acesso aos serviços e tratamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que é gratuito. Essa procura por parte da população se deve muito a imagem que o Álvaro Alvim passa, de que se trata de um hospital filantrópico, uma fundação, um hospital escola, ou seja, no imaginário popular, uma instituição com um caráter público. A realidade, porém, é logo revelada ao constatarem a demora para um primeiro atendimento pelo SUS e a oferta para, se quiserem uma resposta mais rápida, que paguem pelos serviços que são terceirizados dentro do hospital. Alguns pacientes, no jargão popular, chegam até a falar que percebem que são criadas certas dificuldades para venderem facilidade.

Sem fins lucrativos?

A Fundação Benedito Pereira Nunes, responsável pela manutenção do Hospital Escola Álvaro Alvim, destaca no próprio site do hospital (www.heaa.com.br) que é uma entidade jurídica de direito privado, de domínio público, sem fins lucrativos e que tem por finalidade principal prestar serviços médicos especialmente às pessoas carentes, entre outras atribuições. Mas algumas iniciativas recentes têm levado a população a duvidar disso. No mesmo site do hospital, por exemplo, é destacado que os principais serviços oferecidos são atualmente terceirizados por médicos-empresários que assumiram as dependências do hospital para instalarem suas empresas privadas e cobrarem pelos atendimentos. Diagnósticos por imagem, laboratórios para exames dos simples aos complexos, radioterapia e até biópsias são terceirizados.

Aparelho público em mãos privadas:

Empresas como a UltraMed, Pro-Cor, OncoCentro, Instituto Oftalmológico, Incor-NF, Clínica do Aparelho Digestivo, RADGRUPO, entre outras, mantém acordos com o Hospital e exploram suas dependências e instalações para prestarem serviços. Um caso emblemático é o caríssimo aparelho Acelerador Linear, utilizado no tratamento de radioterapia, que foi conseguido pelo Álvaro Alvim por meio de verba doada pelo Ministério da Saúde, mas que logo foi transferido para iniciativa privada por meio de Hospital Álvaro Alvim, que afirma ser filantrópico, terceiriza seus principais serviços e cobra para agilizar atendimento Mais rápido, só com dinheiro Da Redação um contrato de terceirização sigiloso para uma empresa cujo um dos sócios é o médico Frederico Paes Barbosa, tio do prefeito de Campos, Rafael Diniz. O que devia ser público virou privado, e a população que poderia ter acesso gratuitamente ao equipamento, hoje se quiser um atendimento mais rápido no tratamento de câncer, tem que pagar.

Administração com duplo interesse:

No site do Álvaro Alvim (www.heaa.com.br) na seção “Direção e Chefia”, consta a composição de toda diretoria do hospital, que tem como Diretor Geral o médico José Manuel Correia Moreira. O curioso no entanto, é o ocupante do cargo de Administrador Hospitalar, o senhor Flávio Persilva Hoelzle, que além ser o responsável pela administração do Álvaro Alvim, também ocupa um cargo na Secretaria de Saúde de Campos, trabalhando ao lado da secretária municipal, Fabiana Catalani. O conflito de objetivos entre o público e o privado fica latente nas ações de Persilva, que hora tem que defender os interesses da prefeitura e da população e num momento seguinte lutar pelos resultados financeiros do hospital e das empresas parceiras instaladas no Álvaro Alvim.

Ministério Público:

Por se tratar de uma fundação, o Hospital Álvaro Alvim deve ter suas contas e contratos auditados por uma Procuradoria específica de Fundações, onde uma promotora de Justiça, Dra. Daniele Faria Tavares – no caso das fundações em Campos – é a responsável por acompanhar, avaliar, autorizar, fiscalizar e cobrar medidas sanadoras. Essa ação de fiscalização do Ministério Público, quase levou ao fechamento do hospital em 2016 por falhas na prestação de contas. O Ministério Público de Campos também já começa a investigar as atividades do Álvaro Alvim e os procedimentos em relação ao hospital e aos pacientes com câncer diante de várias denúncias que vieram a público após a primeira reportagem sobre o assunto publicada pelo Jornal Terceira Via.

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drama de Ana Cláudia:

Se por um lado os pacientes encontram dificuldade em realizar um procedimento oncológico pelo SUS no Hospital Escola Álvaro Alvim, por outro, acham facilidade, caso este mesmo procedimento seja pago. Foi o que denunciou a garçonete Ana Cláudia Pereira Nunes, 45 anos, que, após meses de espera, viu o câncer de mama se agravar e acometer parte do pulmão. Para agilizar o tratamento, a opção dada a Ana Cláudia na unidade hospitalar foi pagar R$ 700 em uma biópsia pelo atendimento social, já que pelo SUS não tinha sequer uma previsão de data para o exame.

Em julho do ano passado, a garçonete detectou um caroço no seio direito durante o banho. Em setembro, após notar uma secreção saindo do mesmo seio, buscou auxílio no posto de Saúde do Jockey, bairro onde mora. Após o resultado da mamografia, foi encaminhada em regime de urgência para o Hospital Escola Álvaro Alvim, onde deveria ser realizada uma biopsia para descobrir se o tumor era maligno ou não.

“Fui atendida pelo Álvaro Alvim e o médico me encaminhou ao núcleo de assistência social do hospital, onde me informaram que não tinham nem previsão para que a biópsia fosse realizada. Eu afirmei que meu caso era urgente, como o médico me informou, mas a assistente social me disse que, assim como eu, muitos pacientes foram encaminhados com recomendação de urgência”, denunciou Ana Cláudia.

Diante de tamanha dificuldade para marcar uma biópsia, os colegas do trabalho da garçonete resolveram fazer uma rifa para levantar o dinheiro do exame. Por pura sorte, em dezembro de 2017, uma assistente social esteva na lanchonete onde Ana Cláudia trabalha e, quando a garçonete ofereceu a rifa, foi informada pela cliente que poderia buscar auxílio no Hospital Dr. Beda. A primeira consulta no Dr. Beda foi marcada em seguida.

“Eu não tinha R$ 700 para a biópsia e não poderia começar qualquer tratamento sem este exame. Nesta demora do Álvaro Alvin, o câncer avançou e hoje já se espalhou para o pulmão. Assim que a cliente me alertou, eu fui ao Hospital Dr. Beda, onde realizei a biópsia e uma série de exames. Há três semanas comecei a quimioterapia”, disse Ana Cláudia.

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