Eduardo Paes, ex-prefeito do Rio, é alvo de busca e apreensão e vira réu em investigação sobre corrupção

Denúncia diz que ex-prefeito teria recebido R$ 10,8 milhões do Grupo Odebrecht para o financiamento de sua campanha eleitoral em 2012. Assessoria de Paes diz que busca ‘foi uma tentativa clara de interferência do processo eleitoral’.

A casa do ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (DEM) foi alvo de um mandado de busca e apreensão na manhã desta terça-feira (8/9/20). O imóvel fica em São Conrado, Zona Sul da cidade. A ordem foi expedida pelo juiz Flavio Itabaiana de Oliveira Nicolau, da 204ª Zona Eleitoral.

Itabaiana também aceitou uma denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e tornou Paes réu por crimes de corrupção, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro.

De acordo com a denúncia, o ex-prefeito Eduardo Paes teria recebido vantagens indevidas no total de aproximadamente R$ 10,8 milhões, mediante entregas de dinheiro em espécie por operador financeiro a serviço do Grupo Odebrecht para o financiamento de sua campanha eleitoral de reeleição à Prefeitura do Rio em 2012.

A Procuradoria-Geral do Município do Rio afirma ter encontrado “elementos indicativos de que valores oriundos dos cofres públicos do Município foram desviados”.

A TV Globo apurou que o deputado federal Pedro Paulo (DEM) também virou réu — mas não houve buscas contra ele.

Pouco antes das 12h, fiscais do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) chegaram ao endereço para entregar uma intimação a Paes.

Também foram denunciados Benedicto Barbosa da Silva Junior, ex-executivo da Odebrecht; Renato Barbosa Rodrigues Pereira, marqueteiro de Paes; e Eduardo Bandeira Villela, sócio de Renato.

A aceitação da denúncia pela Justiça Eleitoral não impede Paes de concorrer à Prefeitura do Rio nas eleições deste ano – a candidatura do ex-prefeito foi oficializada na semana passada. Para se tornar inelegível, uma pessoa tem que ser condenada em segunda instância.

Agentes do MPRJ estiveram na casa de Paes e, por volta das 7h30, saíram com documentos.

O que dizem os réus

Em nota, a defesa do ex-prefeito afirmou que a busca em sua casa “foi uma tentativa clara de interferência do processo eleitoral”.

“Às vésperas das eleições para a Prefeitura do Rio, Eduardo Paes está indignado que tenha sido alvo de uma ação de busca e apreensão numa tentativa clara de interferência do processo eleitoral — da mesma forma que ocorreu em 2018 nas eleições para o governo do estado”, disse.

“A defesa sequer teve acesso aos termos da denúncia e assim que tiver detalhes do processo irá se pronunciar”, emendou.

Pedro Paulo apontou “uso político de instrumentos da Justiça para interferir na eleição”.

“Não nos intimidarão. Ao ter acesso o conteúdo da denúncia, farei a minha defesa no processo”, afirmou.

O G1 tentava contato com os outros denunciados.

Em nota, a Odebrecht disse que colabora com as autoridades desde 2016. A empresa afirma ainda que “fez acordos no Brasil com o MPF, AGU, CGU e CADE, e no exterior com o Departamento de Justiça dos EUA, Banco Mundial e BID, além de instituições de mais seis países”. Ainda de acordo com a empresa, “é o mais amplo, completo e consistente processo de colaboração da Lava Jato, feito por 77 ex-executivos e com denúncias contra mais de 600 agentes públicos. A Odebrecht se transformou e tem hoje controles internos rigorosos que reforçam o seu compromisso com a ética, a integridade e a transparência.”

São Francisco de Itabapoana, Buena – RJ – matéria escrita e postada por LÍVIA DOS SANTOS MINGUTA – LILI SANTOS

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